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quarta-feira, 15 de março de 2017

Quaresma


                Gostaria hoje de testemunhar uma mudança de vida que ocorreu EM UM PERÍODO QUARESMAL, uma mudança mais que especial, e que acredito que você possa se identificar em algum momento.

                Venho contar a vida de uma personagem que buscava seu encontro com Deus, que buscava entender um pouco mais da vida, principalmente a vida em Deus, e tamanha foi a providência que tudo começou justamente na quarta-feira de cinzas, onde ela entrou na igreja e participou da celebração, recebeu as cinzas, e neste momento ao ouvir a voz do sacerdote dizendo “Lembra-te que és pó, e ao pó hás de voltar” foi tocada profundamente em seu coração, foi tomada por um sentimento único de amor, de perceber que ali se apresentava uma oportunidade de caminhar junto de Deus por meio de sua conversão. Este sentimento teve início justamente na homilia, ao ouvir sobre os quarenta dias que antecediam a páscoa foi tomada como num sopro forte do Espírito, antes mesmo do padre continuar sua homilia, ela foi remetida imediatamente em sua memória a catequese que já havia feito anos atrás, e assim vieram os quarenta dias de dilúvio, os quarenta dias de Moisés no Monte Sinai, 40 dias de Jesus no deserto antes de começar o seu ministério, quarenta anos de peregrinação do povo de Israel no deserto, enfim, os quarenta dias que se apresentavam para ela, agora com a fronte marcada com as cinzas, como via de retorno à Deus.

                Nossa personagem começou a mudar a partir do momento que fez sua opção por Deus, de dar o seu sim ao Senhor, e assim começou a perceber que era necessária uma mudança, logo, deu início a sua peregrinação de fé, começou a seguir o que a Igreja orientava para este período de forte reflexão da vida, começou seu aprofundamento nas orações, na penitência, no jejum e na esmola. Ela começou a perceber que participar ativamente das missas a aproximava cada vez mais de Deus, por meio de suas orações com a comunidade e de suas orações particulares, viu na reflexão diária uma busca intensa de se conhecer e de poder assim clarear suas atitudes, buscando um coração contrito, um coração arrependido verdadeiramente, depositando sua confiança na misericórdia de Deus, assim buscava viver a penitência em sua vida. Confiante caminhando na fonte de pura misericórdia do Coração Sagrado de Jesus, sentia que sua vida era lavada no sangue preciosíssimo do Cristo. Praticava o jejum com alegria, jejum do alimento, jejum das palavras, pois bem sabia que às vezes saíam palavras de sua boca que não eram construtivas, buscava de fato uma mudança intensa em sua vida, aprendeu que na esmola ela encontrava o Cristo no próximo necessitado, e assistia assim aos que precisavam, mesmo que não tivesse o que dar no plano material procurava ajudar no acolhimento, ouvindo, sendo de fato o Cristo para quem precisava.
                Esta personagem de fato acolheu este tempo quaresmal em sua vida e assim viveu, vive,  e viverá toda quaresma como se fosse a primeira, sempre fará de cada dia de sua vida um dia dedicado ao Senhor, no seu sim ela encontrou a força e o meio que a impulsionou em direção a Deus, passou a compreender o sentido penitencial desse tempo de graça, percebeu que tudo na Igreja tem uma ligação linda, que as cinzas que iniciaram sua caminhada tiveram sua origem naquele domingo de ramos, sim, nos ramos que foram a forma que povo encontrou de saudar a entrada do Cristo em Jerusalém tornaram-se as cinzas que marcaram sua fronte e a impulsionaram em sua entrada na vida em Cristo.
                Gostaria de com muita alegria e fé apresentar esta personagem que acabei de relatar neste breve testemunho, ela é você, isso mesmo, você que Deus chama a fazer esta experiência quaresmal, esta experiência do céu em sua vida, sim, você, aquele que Deus escolheu, que Deus ama, que Deus quer ter por perto.
              Deus nos abençoe e que possamos nos encontrar na Matriz de Santa Rita e viver esta Santa Quaresma, e quem sabe nos encontrarmos no Domingo de Ramos e vivermos intensamente a Semana Santa....

quarta-feira, 8 de março de 2017

LUX

LUX

Olá fiéis, mas uma vez estou aqui para dividir minha odisseia Cristã.

No dia 02/02, no dia da Apresentação do Nosso Senhor no Templo, obviamente, fui até a Santa Igreja para assistir a linda celebração, afinal de contas, tinha passado três semanas lendo sobre o assunto e queria assistir o sacerdote explicar com suas sábias palavras tudo aquilo que havia estudado.

Ao chegar na Paróquia Nossa Senhora de Loreto, no bairro da Freguesia, um senhor da pastoral do acolhimento entregou-me uma vela e disse que haveria a procissão da luz.

Animada e feliz com mais uma novidade apresentada pela nossa rica Igreja, tirei uma foto da vela com o altar de fundo, e enviei para o amigo Fiel Marcos Soares através de uma rede social.

Adivinhem o que aconteceu?!!! Meu Fiel amigo perguntou-me: Você sabe o simbolismo das velas para nós cristãos? E eu respondi: Iiiiiiiiiii não!!! Como bom cristão e bom amigo disse o Fiel Marcos: Pode começar sua nova pesquisa!!!!

Lá fui eu pesquisar!!!

Encontrei tanta dificuldade para localizar material fidedigno para esse tema... nossa! Deu trabalho!

À saber:

Estudos estimam que as primeiras velas foram encontradas em pinturas em cavernas a cerca de 50.000 anos A.C., motivando que a luz era fornecida por gordura animal e fibra de plantas que funcionavam como pavio.

Num breve passeio pela história do mundo, as primeiras referências sobre velas, datam do sec. X A.C e vêm referidas em textos bíblicos.

Através de descobertas arqueológicas as velas também foram muito utilizadas no Egito e na Grécia.

Na Idade Média as velas serviam também para iluminar Igrejas, Mosteiros e Salões.

Como observa-se a vela é utilizada também por todas as civilizações e religiões como uma maneira de chegar mais próximo do Divino.

Mas para a nossa Igreja, o que a vela significa?

“Quando acendemos uma vela, colocamo-la, não debaixo da mesa, mas sobre o castiçal, para que ela ilumine a todos que estão em casa. Assim também deve brilhar vossa luz diante dos homens, para que eles vejam vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,14).

Para quem tem um olhar claro e atento; e um coração puro, entende que Deus fez tudo carregado de muitos símbolos, e a vela, acredito que seja um dos mais importantes e relevantes para nossa fé, pois a luz extraída da vela simboliza a esperança e o amor.

O verbo “velar” significa ficar de sentinela, cuidar, vigiar, logo, ao acender uma vela também se faz um pedido de proteção à Deus.  

Em vários momentos da liturgia, encontra-se significados para as velas acesas como maior expressão da vida na fé dos fiéis que rezam. Ali está a presença de Deus!

Observa-se que na noite do Sábado Santo é aceso o Círio Pascal que significa Cristo ressuscitado.

Ao batizar uma criança, a vela do batismo é acesa no Círio Pascal demonstrando que a vida de fé daquela criança é a mesma nova vida do Cristo Ressuscitado.

Acende-se também velas aos Santos como forma de prestar-lhes honra e suplicar a intercessão junto a Deus.

As quatro velas acesas no Advento. Aos mortos também se prestam homenagens como forma de alcançar-lhes a luz da salvação.

Ao fazer uma oração privada de súplica ou de agradecimento a graça alcançada.

A vela votiva que significa um voto aceso pela consagração, de devoção, de confiança e de oração silenciosa.

O castiçal de sete velas, também chamado de “Menorah”, usado para representar o Espírito Santo e os sete dons do Espírito.

O Sacramento da Confirmação também é representado por uma vela que é acesa no Círio Pascoal.
Exemplos da Luz do Mundo não nos falta!    

As passagens bíblicas estão cheias de dicas sobre a luz de Deus, vejamos: Gn 1,1-3: “fiat lux” – Faça-se a luz; Sl 1,6; 36,18; 26,1: O Senhor é a minha luz e a minha salvação; Jo 1,9; 8,12; 12,35: Eu sou a luz do mundo; Lv 24,1-4: O Senhor disse a Moisés; Is 9,1; 11,2-3: O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; Lc 2,22-32 – Apresentação de Jesus no templo;   

Diante de algumas das passagens bíblicas acima citadas e de alguns exemplos dos momentos litúrgicos, percebe-se que quando se acende o fogo da fé em nossas almas, assim como o fogo da vela que vai sendo consumida, é assim também o fogo da verdade católica que vai consumindo seus fiéis e fazendo com que ele gaste sua vida para produção de luz verdadeira e o calor da caridade diante de seus irmãos.

Que sejamos a luz da vela no caminho daqueles que se encontram na escuridão, como um farol em forma de torre para os navios à deriva, bem como o calor que aquece aqueles que sentem frio nos dias de inverno.   

Você sabia que no dia 02 de fevereiro também se comemora a festa de Nossa Senhora da Candelária?
Sim, no Cântico de Simeão – Nunc Dimittis – Ele diz que Jesus será a Luz que irá aclarar os genitos (Lc 2:29-32). Tem-se início ao culto em torno de Nossa Senhora da Luz, que também é conhecida como Nossa Senhora das Candeias, da Candelária, da Purificação ou da Apresentação, onde a celebração é realizada com uma procissão de velas.   

Leitura Recomendada:
Gn 1,1-3
Sl 1,6; 36,18; 26,1
Jo 1,9; 8,12; 12,35
Lv 24,1-4
Is 9,1; 11,2-3
Lc 2,22-32

Fontes:
Bíblia Sagrada Edição de Estudos; Tradução dos originais grego, hebraico e aramaico mediante a versão dos Monges Beneditinos de Maredsous; 5ª Ed.; São Paulo: Ave-Maria, 2015;
http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s2cap1_1210-1419_po.html
http://www.miliciadaimaculada.org.br/ver3/default.asp?pag_ID=2679

Danielle Soares, 
Matriz de Santa Rita de Cássia, 
Centro, Rio de Janeiro.